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Guarda minhas memórias se o meu corpo esquecer
(2026)
No ano de comemoração dos 15 anos do Grupo de Dança Contemporânea do Colégio Estadual do Paraná, o grupo propõe uma nova obra: o espetáculo “Guarda minhas memórias se meu corpo esquecer”, concepção do diretor e coreógrafo, Fernando Nascimento. O grupo questiona, através do movimento, para onde vão nossas memórias e como nos relacionamos com elas, investigando relações entre corpo, afeto e esquecimento. A partir das lembranças que carregamos, algumas nítidas, outras fragmentadas, algumas que desejamos preservar e outras que tentamos abandonar, o espetáculo habita em diferentes formas de se lembrar e de se esquecer.
Qual a última memória que você gostaria de deixar? Quando olhar para trás, como você vai se lembrar delas? No celular, no retrato em cima da mesa, no computador, nas redes sociais? Ou vai se lembrar daquelas que ficaram dentro de si, desenhadas nas células? Esses questionamentos guiaram a criação da obra, buscando responder algumas das tantas perguntas que habitam nossa existência. Tem as minhas memórias, tem as suas e tem as nossas, que se entrelaçam como crochê. Memórias que permanecem, outras que fogem, ou são invisíveis.
São lembranças do pão feito em casa, das visitas às avós, das bolachas das tias, dos doces, do cheiro do mar. Memórias que correm na rua, jogam bola, usam uniforme de escola, têm medo da prova de matemática, pulam no rio. Memórias que sobem em árvores, que voam. Memórias do primeiro dia de aula, da primeira roupa nova, do cheiro de amaciante, das músicas da adolescência.
Em cena, o corpo torna-se um lugar onde histórias pessoais e coletivas se encontram, se cruzam e se transformam. Algumas lembranças são compartilhadas; outras são íntimas e pessoais. Algumas permanecem por toda a vida, enquanto outras desaparecem aos poucos, como se o tempo também pudesse apagar aquilo que um dia foi essencial.
Entre lembranças de encontros e ausências, de amor e solidão, de perdas e recomeços, “Guarde minhas memórias se o meu corpo esquecer” olha para a memória não como algo fixo, mas como matéria viva: que se modifica, se desfaz, reaparece e pode ser reinventada.
Porque também existem memórias que só o corpo sabe contar. E, enquanto houver movimento, talvez ainda seja possível lembrar.










